A gordura no fígado, conhecida clinicamente como esteatose hepática, é uma condição cada vez mais comum e que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Apesar de sua alta prevalência, muitas pessoas convivem com o problema sem saber, já que, nas fases iniciais, os sintomas costumam ser discretos ou até inexistentes.
Justamente por isso, compreender os sinais que o corpo pode apresentar ao longo do tempo é fundamental para buscar diagnóstico precoce, adotar mudanças no estilo de vida e evitar a progressão da doença. Quando identificada no início, a esteatose hepática é, na maioria dos casos, reversível.
O que é a esteatose hepática?
A esteatose hepática ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Esse processo pode estar associado a fatores como alimentação desequilibrada, excesso de peso, sedentarismo, alterações metabólicas e resistência à insulina. Em muitos casos, a condição não está relacionada ao consumo de álcool.
Embora o fígado tenha capacidade de regeneração, o acúmulo persistente de gordura pode desencadear inflamação, levando a quadros mais complexos, como a esteato-hepatite não alcoólica (NASH). Se não houver acompanhamento, essa inflamação pode evoluir para fibrose, cirrose e outras complicações hepáticas.
Por que os sintomas iniciais passam despercebidos?
Nos estágios iniciais, o fígado ainda consegue desempenhar suas funções normalmente, mesmo com o excesso de gordura. Por isso, muitas pessoas não sentem nada específico ou atribuem sinais leves ao estresse, à rotina intensa ou ao cansaço do dia a dia.
No entanto, o corpo pode emitir alertas sutis que, quando observados com atenção, ajudam a identificar o problema mais cedo.
Possíveis sinais iniciais de gordura no fígado
Entre os sintomas mais comuns nas fases iniciais da esteatose hepática, destacam-se:
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Cansaço frequente e sensação de esgotamento, mesmo após períodos adequados de descanso
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Fadiga mental e física, que pode afetar a produtividade diária
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Desconforto leve ou sensação de peso na parte superior direita do abdômen
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Diminuição do apetite, que pode ocorrer de forma gradual
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Perda de peso não intencional, em alguns casos
Esses sinais não são exclusivos da gordura no fígado, mas, quando persistem, merecem avaliação médica, especialmente em pessoas com fatores de risco.
O que acontece quando a condição avança?
Se o acúmulo de gordura persiste e o fígado passa a sofrer inflamação contínua, pode ocorrer a formação de tecido cicatricial, conhecida como fibrose hepática. Com o tempo, a fibrose pode evoluir para cirrose, um estágio em que o fígado apresenta danos mais extensos e perda parcial de sua função.
Nessas fases mais avançadas, os sinais tendem a se tornar mais evidentes.
Sinais mais avançados que exigem atenção médica
Quando a função hepática começa a ser comprometida, podem surgir sintomas como:
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Hematomas frequentes ou sangramentos, inclusive nasais
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Inchaço abdominal, que em situações mais graves pode estar associado ao acúmulo de líquidos
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Inchaço nas pernas e tornozelos, devido à retenção de líquidos
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Alterações na coloração da pele e dos olhos, com aspecto amarelado
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Urina mais escura e fezes mais claras, relacionadas a mudanças no metabolismo da bilirrubina
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Alterações cognitivas, como dificuldade de concentração, distúrbios do sono, confusão mental e mudanças de comportamento
Esses sinais indicam que o fígado pode estar com sua capacidade funcional reduzida e exigem avaliação médica imediata.
A importância do diagnóstico precoce
A boa notícia é que, quando identificada nas fases iniciais, a gordura no fígado pode ser revertida com mudanças consistentes no estilo de vida. Estudos indicam que a redução de 5% a 7% do peso corporal, quando necessária, já pode diminuir significativamente o acúmulo de gordura hepática.
O diagnóstico geralmente envolve exames de sangue, avaliação clínica e, em alguns casos, exames de imagem solicitados por um profissional de saúde.
Mudanças no estilo de vida fazem a diferença
O tratamento da esteatose hepática baseia-se principalmente em hábitos saudáveis, como:
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Alimentação equilibrada e variada
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Redução do consumo de alimentos ultraprocessados
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Prática regular de atividade física
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Controle de condições como diabetes e colesterol elevado
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Acompanhamento médico periódico
Essas medidas não apenas ajudam o fígado, mas também promovem benefícios para todo o organismo.
Atenção aos sinais do seu corpo
Nem todo sintoma indica um problema grave, mas ignorar sinais persistentes pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. Observar o próprio corpo e buscar orientação profissional quando necessário é uma forma eficaz de cuidar da saúde e prevenir complicações futuras.
Manter hábitos saudáveis e realizar avaliações regulares são atitudes simples que podem fazer grande diferença na saúde do fígado e na qualidade de vida a longo prazo.