As mãos e os pés desempenham funções essenciais no dia a dia, desde atividades simples — como segurar objetos, caminhar ou digitar — até movimentos mais delicados e repetitivos. Por isso, qualquer desconforto nessas regiões pode afetar significativamente a rotina. Entre as causas possíveis de dor frequente nessas áreas está a tenossinovite, uma inflamação que envolve os tendões e suas bainhas, responsável por gerar incômodo, limitação de movimentos e sensação de rigidez.
Embora seja uma condição relativamente comum, muitas pessoas convivem com sintomas sem saber exatamente o que está acontecendo ou acreditando que se trata apenas de cansaço. Conhecer melhor a tenossinovite, seus sinais e formas de prevenção é uma maneira importante de manter a saúde musculoesquelética em dia e evitar que o problema avance.
O que é a tenossinovite?
Os tendões são estruturas fibrosas que conectam os músculos aos ossos, permitindo que o movimento aconteça. Ao redor de muitos tendões existe uma membrana chamada bainha sinovial, cuja função é facilitar o deslizamento durante os movimentos. Quando essa bainha sofre inflamação, ocorre a tenossinovite.
A condição pode afetar diversas partes do corpo, mas é mais comum nas mãos, punhos, tornozelos e pés — justamente regiões que realizam movimentos repetitivos. A inflamação pode ser leve ou mais intensa, dependendo da causa, do nível de esforço e do tempo de evolução.
Principais causas da tenossinovite
Embora muita gente associe a tenossinovite apenas ao uso excessivo das mãos no trabalho, existem fatores diversos que podem contribuir para o desenvolvimento da condição. Entre os mais comuns estão:
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Movimentos repetitivos: digitar, costurar, trabalhar com ferramentas, tocar instrumentos ou realizar atividades manuais por longos períodos.
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Sobrecarga muscular: esforço intenso ou movimentos inadequados podem irritar os tendões.
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Postura incorreta: principalmente em atividades que exigem precisão ou força contínua.
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Uso de calçados inadequados: no caso dos pés e tornozelos.
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Traumas leves: como pancadas ou entorses.
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Processos inflamatórios: algumas condições clínicas podem aumentar a predisposição à inflamação.
A prevenção envolve identificar e adaptar os hábitos diários que contribuem para o desgaste dos tendões.
Sintomas que merecem atenção
A tenossinovite costuma apresentar sinais característicos, especialmente quando o tendão afetado é movimentado. Entre os sintomas mais comuns estão:
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Dor ao movimentar as mãos ou os pés, que pode começar leve e piorar com o tempo;
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Sensação de rigidez, principalmente ao acordar ou após repouso prolongado;
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Inchaço local, indicando inflamação;
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Sensação de estalos, como se algo estivesse “raspando” no movimento;
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Dificuldade para segurar objetos, no caso das mãos;
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Desconforto ao caminhar ou ao apoiar o pé, nos casos que envolvem os membros inferiores;
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Sensibilidade ao toque na área inflamada.
É comum que, no início, os sintomas apareçam apenas após esforço. Com o tempo, porém, podem surgir mesmo em repouso.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da tenossinovite é clínico, ou seja, feito a partir da avaliação do profissional de saúde. Normalmente, o médico observa:
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a região dolorida;
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a amplitude dos movimentos;
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sinais de sensibilidade;
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histórico de atividades que podem ter contribuído para a inflamação.
Em alguns casos, exames de imagem, como ultrassonografia, podem ser solicitados para avaliar o nível de inflamação ou descartar outras condições.
Formas de tratamento
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas e o histórico de cada pessoa. As abordagens mais utilizadas incluem:
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Repouso da região afetada, evitando movimentos repetitivos;
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Compressas frias no local, principalmente nas primeiras horas de dor;
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Uso de órteses, como talas, para imobilização temporária;
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Fisioterapia, com exercícios e técnicas que fortalecem e alongam os tendões;
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Ajustes ergonômicos no trabalho, estudo e atividades domésticas.
Somente um profissional pode orientar sobre medicamentos ou tratamentos específicos, caso sejam necessários.
Medidas de prevenção
Prevenir a tenossinovite é tão importante quanto tratá-la. Algumas medidas simples fazem grande diferença:
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Fazer pausas ao realizar atividades repetitivas;
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Ajustar a postura ao digitar, trabalhar ou realizar tarefas manuais;
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Usar calçados adequados para o dia a dia;
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Aplicar alongamentos leves antes e depois de atividades intensas;
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Manter atenção ao esforço excessivo.
Pequenos cuidados diários ajudam a evitar que os tendões sejam sobrecarregados.
Quando procurar avaliação médica
Se a dor nas mãos ou nos pés persistir por dias, dificultar atividades simples ou piorar com o tempo, é recomendável buscar orientação de um profissional de saúde. A avaliação precoce evita a progressão da inflamação e torna o tratamento mais eficaz.