Uma dor persistente na nádega que se irradia pela perna costuma ser associada imediatamente à Ciática. No entanto, em alguns casos, a causa pode ser a Síndrome do piriforme, uma condição diferente, mas com sintomas muito semelhantes.
A distinção é importante porque o tratamento das duas condições não é o mesmo. Quando o diagnóstico não é correto, o paciente pode passar meses com dor sem melhora significativa.
O que é a síndrome do piriforme?
O Músculo piriforme fica localizado profundamente na região da nádega, conectando a base da coluna ao fêmur. Quando esse músculo entra em espasmo, inflama ou se contrai de forma anormal, ele pode pressionar o Nervo ciático.
Essa compressão provoca dor intensa na nádega que pode irradiar pela parte posterior da coxa e da perna, simulando exatamente os sintomas da ciática.
A principal diferença está na origem do problema:
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Ciática clássica: o nervo é comprimido na coluna lombar, geralmente por Hérnia de disco ou estreitamento do canal vertebral.
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Síndrome do piriforme: a compressão ocorre fora da coluna, diretamente no músculo da nádega.
Por isso, exames como ressonância da coluna podem aparecer normais mesmo quando a dor é intensa.
O que dizem os estudos científicos
Uma revisão sistemática publicada na revista BMC Surgery em 2025 analisou 97 estudos com dados de 212 pacientes com síndrome do piriforme.
Entre os principais achados:
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Cerca de 38,2% dos casos tinham histórico de trauma pélvico ou esforço físico intenso.
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O diagnóstico correto muitas vezes ocorreu apenas após excluir outras causas de ciática.
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A condição pode afetar homens e mulheres, com idade média em torno de 43 anos.
Esses dados mostram por que o diagnóstico pode ser desafiador.
Sintomas que ajudam a diferenciar da ciática
Alguns sinais podem sugerir síndrome do piriforme:
Dor profunda na nádega
Normalmente aparece apenas de um lado e piora ao ficar muito tempo sentado.
Dor ao subir escadas ou caminhar em subida
Movimentos que exigem rotação do quadril aumentam o desconforto.
Alívio ao deitar de lado
Dormir com um travesseiro entre os joelhos pode diminuir a tensão muscular.
Formigamento na coxa
A irradiação costuma ser menor que na ciática lombar e muitas vezes não passa do joelho.
Dor ao pressionar a nádega
A palpação profunda próxima à articulação sacroilíaca pode reproduzir a dor.
Pouca ou nenhuma dor lombar
Diferente da ciática causada por problemas na coluna.
Principais causas e fatores de risco
A síndrome do piriforme pode surgir por diferentes motivos, como:
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Trauma direto na região pélvica (queda sobre as nádegas)
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Prática intensa de corrida ou ciclismo
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Movimentos repetitivos de rotação do quadril
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Longos períodos sentado
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Postura inadequada ao sentar
Essas situações podem sobrecarregar o músculo e provocar inflamação ou espasmo.
Como é feito o tratamento
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e apresenta bons resultados.
As principais abordagens incluem:
Fisioterapia
Alongamentos específicos do músculo piriforme e fortalecimento dos glúteos.
Liberação miofascial
Técnicas manuais para reduzir a tensão muscular.
Agulhamento seco
Utilizado em casos de contraturas persistentes.
Repouso relativo
Evitar atividades que desencadeiam a dor nas fases iniciais.
Quando a dor é muito intensa ou persistente, o médico pode indicar infiltrações com anti-inflamatórios ou anestésicos, geralmente guiadas por ultrassom.
A cirurgia é rara e costuma ser considerada apenas quando há compressão anatômica confirmada e falha do tratamento clínico. A síndrome do piriforme é uma causa relativamente comum de dor na nádega que imita a ciática. Reconhecer a diferença entre as duas condições é essencial para iniciar o tratamento correto e evitar meses de dor sem melhora.